Foto Foto · '33 anos depois #2', de João Castela Cravo
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28 Abril 2007
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25 Abril 2007
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Lisboa, av. da Liberdade
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33 anos depois do 25 de Abril de 1974, em Portugal permanece uma democracia deficitária. A prová-lo estão, entre muitas outras coisas, tudo o que se tem passado, nos últimos tempos, à volta da promoção da figura de Salazar. É, sobretudo, um défice de conhecimento, mas também um excesso de medo. Um défice de conhecimento, pois os portugueses denotam uma forte ignorância sobre tudo, em especial sobre os seus direitos, cruzando uma profunda falta de cidadania com uma enorme infantilização, demonstrada por exemplo pelas críticas pueris aos políticos, mas também pela grande incapacidade de alguns desses políticos em assumir posições de classe, ou inclusivamente de estatuto. Vejam-se, a este respeito, os recentes desenvolvimentos à volta do valor do “canudo” do nosso P.M.. Ao invés de se discutir ideias, projectos, discutem-se títulos, quase nos fazendo regressar à compra de títulos do século XIX português, imaginando Garrett clamar: “- foge cão que te fazem licenciado! – para onde se me fazem doutor!”

Mas vivemos também numa sociedade do medo. Só através do medo a nossa incipiente cidadania vai funcionando. Baixa a sinistralidade nas estradas (quase nada)? É porque aumentaram as multas. Diminuíram os incêndios? É porque aumentou a fiscalização. Enfim, um sem número de exemplos se poderiam dar, em que a consciência colectiva e individual não funciona, em que é apenas o medo de se ser apanhado em falta que mantém a máquina a rolar.

Ignorância e medo. Dois paradigmas da sociedade portuguesa. Mas serão eles de geração expontânea? Não, evidentemente! Foram também estes, dois dos paradigmas do Estado Novo salazarista-fascista. Também Salazar apostou em estruturas e instituições que promoviam o medo. Também ele se serviu da ignorância como forma de domínio pessoal (recordo que, caso único a nível mundial, se chegou a diminuir o ensino obrigatório para as mulheres, de 4 para 3 anos). Esses paradigmas tornaram-se eixos transversais de uma cultura portuguesa, que desvaloriza o saber em prol do chico-espertismo, que desconsciencializa em função do medo de ser apanhado. Uma sociedade que permanece atávica, situação cada vez mais arreigada, até pela tendência internacional dos estados-controladores-polícias, também à boa maneira do século XIX, a que agora se chama Estado neo-liberal. Só que em outros países a educação para a cidadania trespassou atavaísmos, criou e educou consciências.

Aos três D’s do MFA no 25 de Abril de 1974, Democratizar, Descolonizar e Desenvolver, urge agora, 33 anos depois, acrescentar os três C’s, de Criar Consciência de Cidadania – para, pelo saber perder o medo!

Nikon F601
Tamron AF 28-80/3,5-5,6 Aspherical
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