Foto Foto · 'Tia Beatriz , fazedora de cestinhos', de António Delicado
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Inserida em :
8 Novembro 2003
Data :
Outubro 2003
Local :
Sortelha - Beira Baixa
Pós Processamento :
Blur no segundo plano
Velocidade :
--
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3782
Abertura :
--
Comentários :
17
ISO :
--
- Então o senhor não me compra um cestinho? – perguntou a Tia Beatriz – vim a sabê-lo mais tarde - enquanto as mãos grossas da lavoura, teciam uma pequena teia de fios de junco.
O sol quente de um fim de Outono inundava o terreiro de Sortelha e Tia Beatriz fazia cestinhos em tempo de pousio das terras.
- Mais logo passo por aqui – disse-lhe como desculpa apressada.
Queria recordar com os olhos da saudade este lugar de férias passadas á sombra da igreja matriz quando ainda se fechava a porta da vila ao anoitecer e os animais bebiam águas das covas feitas no granito pelas águas fortes do Inverno.
Mas aquele rosto queimado pelo ar da serra, fixo num trabalho de ocasião, prendeu-me os passos e as intenções.
- Então a Tia Edvina ainda é viva? – perguntei-lhe a fazer a ponte entre o presente e o passado.
Tia Edvina era uma residente resistente de Sortelha, em casa de quem, em tempos passei férias. Na altura, alguns dedos faltavam para contar as almas daquela vila.
- Oh, coitada, morreu faz dois anos !
- Mas o senhor conhecia a Edvina?
O olhar largou a teia de junco e fixou-me num olhar de agradável espanto.
- Olhe que fui eu que fui dar com ela caída junto á leira que andava a trabalhar.
- Morreu que nem um passarinho!
Tia Beatriz disse-o com um ar tão doce e terno que pareceu-me que estava a ver o rosto calmo e sereno da Tia Edvina colado á terra que tantos anos amanhou e de onde saiam aquelas batatas saborosamente temperadas com azeite acabado de ferver.
Recordei os tempos passados á sombra do grande plátano do terreiro da vila em fim de tarde de Verão, onde as conversas de tudo e de nada corriam como a brisa do vento que acalmava os corpos quentes dos passeios ao longo das muralhas.
- Então quantas pessoas ainda cá vivem?
- Olhe meu senhor, agora não somos mais que dezoito. Até os senhores de Lisboa, que compraram essas casas por aí, já cá pouco vêem.
Senti aquela vila tornada fantasma e um arrepio correu-me pelo corpo.
- Então sempre me compra um cestinho?.
Tia Beatriz acordou-me daquele pesadelo.
- Claro que compro. Pudesse eu também comprar o retorno das gentes desta terra ás suas aldeias, como compro cestinhos á Tia Beatriz!
- Posso tirar-lhe uma fotografia?
- Claro que pode ! Deixe-me só ajeitar o vestido.
Tia Beatriz, ajeitou o vestido, esboçou um sorriso e voltou a tecer teias de junco de onde nascem os cestinhos que vende em tempos de pousio das terras.
Este é o rosto de quem resta duma vila serrana chamada Sortelha.
Não foi especificado equipamento nesta foto!
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